Greve dos caminhoneiros esvazia postos da Petrobras em Minas Gerais

Greve dos caminhoneiros esvazia postos da Petrobras em Minas Gerais
  • dez, 5 2025
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Na madrugada de segunda-feira, 9 de junho de 2025, caminhoneiros pararam as estradas de Minas Gerais — e em poucas horas, as bombas de gasolina em Belo Horizonte começaram a secar. Em um posto na avenida Teresa Cristina, só uma das cinco bombas ainda tinha combustível. O frentista, sem disfarçar a ansiedade, disse: "Ninguém sabe quando vem o próximo caminhão". O que parecia um problema local já se transforma em crise estadual. Segundo o Minaspetro, sindicato que representa os revendedores de combustíveis no estado, os estoques da bandeira Vibra Energia — antiga BR Distribuidora — estão em níveis "extremamente baixos". E isso não é exagero. Milhares de postos, que juntos representam 16% do mercado mineiro, correm risco real de ficar sem gasolina, diesel e etanol nos próximos dias.

Por que os caminhoneiros estão parando?

A greve não surgiu do nada. Ela é o grito de um setor que se sente esquecido. Irani Gomes, presidente da entidade que representa os caminhoneiros em greve, é claro: "Não queremos parar o país. Queremos que cumpram a lei". Ele se refere à Lei 13.703/2018, que estabelece um piso mínimo de frete para evitar que transportadores sejam explorados por preços irrisórios, e à Lei 10.209/2001, que garante o vale-pedágio obrigatório. Ambas são leis antigas — mas mal aplicadas. Muitos motoristas relatam que, mesmo após anos de cobrança, as empresas não pagam o valor mínimo por quilômetro rodado. E os pedágios? Em muitos casos, o custo é descontado da carga do caminhoneiro, não da transportadora. "É como se o governo criasse uma regra e depois dissesse: 'Faz o que quiser, não vamos fiscalizar'", diz um caminhoneiro de Uberlândia, que pediu para não ser identificado.

O que diz a Vibra Energia?

A Vibra Energia respondeu com um comunicado técnico, quase frio: "Estamos adotando todas as medidas necessárias para mitigar eventuais riscos de desabastecimento". Mas o que isso significa na prática? Nada de caminhões novos saindo das distribuidoras. Nada de rotas alternativas em larga escala. A empresa afirma que "os contratos estão vigentes" — mas não diz se vai reajustar os valores ou negociar com os motoristas. E mais: repudia "qualquer tentativa de combinação coletiva de preços". É uma frase que soa como uma ameaça legal. Mas os caminhoneiros não estão pedindo aumento de preço. Estão pedindo que respeitem leis já existentes. A contradição é gritante.

Um estado em alerta

Minas Gerais é o segundo maior consumidor de combustíveis do Brasil. O setor de transporte responde por quase 12% do PIB nacional — e quase todos os caminhões que circulam aqui usam diesel ou gasolina. O Minaspetro calcula que, se a greve durar mais de 72 horas, pelo menos 30% dos postos da bandeira Vibra poderão fechar temporariamente. Em cidades como Juiz de Fora, Montes Claros e Uberaba, já há relatos de filas de carros em postos vazios. Em Belo Horizonte, alguns estabelecimentos estão vendendo apenas 10 litros por cliente. "É o caos controlado", diz uma dona de posto em Contagem. "Ninguém sabe se vai ter combustível amanhã. E se não tiver, o que a gente faz?"

O cenário nacional começa a piorar

Isso não é só um problema mineiro. O Jornal Anhanguera confirmou em 5 de setembro de 2025 que carretas de combustível estão paradas em distribuidoras de São Paulo, Goiás e Paraná. Em Catalão, Goiás, 30% da frota de ônibus urbanos foi reduzida. Botijões de gás também estão sumindo — e isso afeta restaurantes, padarias, hospitais. "A greve dos caminhoneiros não é só sobre frete. É sobre a sobrevivência de milhares de pequenos negócios", afirma o economista Carlos Alberto Mendes, da UFMG. "Se o combustível não chega, o pão não sai do forno, o remédio não chega ao posto de saúde, o leite não vai ao mercado. É um efeito dominó que ninguém quer ver."

A Petrobras, dona da Vibra Energia até 2019, mantém silêncio. A empresa de economia mista, Petróleo Brasileiro S.A., não emitiu nota oficial. Mas o fato de a distribuidora ser sua filial torna a pressão política inevitável. Enquanto isso, os petroleiros — que já estão em estado de greve desde 10 de novembro de 2025 após rejeitarem o acordo coletivo da Petrobras — criam um cenário de tensão dupla. Dois setores estratégicos, dois movimentos distintos, mas com o mesmo alvo: o poder da Petrobras e do governo federal.

O que vem a seguir?

As negociações estão congeladas. O governo federal ainda não se manifestou. O Ministério dos Transportes diz que "monitora a situação" — mas não oferece mediadores. O presidente da Câmara dos Deputados já foi procurado por parlamentares mineiros, mas não há sinal de agenda. Enquanto isso, o tempo corre. A cada hora que passa sem acordo, o risco de desabastecimento aumenta. E com ele, a possibilidade de uma crise maior: inflação nos preços dos alimentos, paralisação de indústrias, aumento do desemprego. "Isso não é uma greve. É um alerta vermelho para o país", diz Gomes. "Se não resolvermos agora, vamos ter que enfrentar algo muito pior em breve."

Por que isso importa para você?

Se você dirige, trabalha em um posto, tem um negócio que depende de entrega, ou só precisa abastecer o carro para ir ao trabalho — você já está afetado. O sistema de transporte brasileiro é como um coração: se a bomba para, tudo para. E esse não é um problema técnico. É político. É social. É econômico. E está acontecendo agora.

Frequently Asked Questions

Como a greve dos caminhoneiros afeta os postos da Petrobras?

A Petrobras não opera diretamente os postos, mas sua filial, a Vibra Energia, é responsável por 16% da distribuição de combustíveis em Minas Gerais. Com os caminhoneiros em greve, as entregas de gasolina, diesel e etanol foram interrompidas. Isso esvaziou os estoques nos postos da marca, e muitos já estão operando com apenas uma bomba ativa. Sem novas remessas, o desabastecimento pode se espalhar em menos de 72 horas.

Quais são as leis que os caminhoneiros estão exigindo que sejam cumpridas?

Eles exigem o cumprimento da Lei 13.703/2018, que garante um piso mínimo de frete para evitar exploração, e da Lei 10.209/2001, que obriga as empresas a pagarem o vale-pedágio. Ambas existem há anos, mas são ignoradas por muitas transportadoras e distribuidoras. Os motoristas não pedem aumento — pedem que respeitem o que já está na lei.

A Vibra Energia está negociando com os caminhoneiros?

A empresa afirma estar "aberta ao diálogo individual", mas rejeita qualquer negociação coletiva, classificando-a como "infração à lei de defesa da concorrência". Isso bloqueia qualquer avanço real, já que os caminhoneiros atuam como grupo. Sem negociação coletiva, o conflito só se agrava. Até agora, não houve mediação do governo.

O que pode acontecer se a greve continuar por mais de uma semana?

Além do desabastecimento em postos, há risco de paralisação de transportes públicos, aumento de preços de alimentos e insumos, e até fechamento de pequenos negócios. Em Goiás, já houve redução de 30% na frota de ônibus. Em Minas, hospitais e farmácias começam a sentir a pressão. Se o governo não intervir, a crise pode se espalhar para outros estados, gerando impactos diretos no PIB, já que o transporte responde por 12% da economia nacional.

Por que a Petrobras não está se manifestando?

A Petrobras não é a operadora direta dos postos — isso é feito pela Vibra Energia, sua filial. Mas como controladora majoritária, sua omissão é interpretada como falta de liderança. A empresa prefere deixar a distribuidora lidar com o conflito, mesmo que isso aumente o risco de desabastecimento. Isso gera frustração tanto nos motoristas quanto nos revendedores, que veem a Petrobras como a única entidade com poder real para resolver o impasse.

Existe precedente histórico para essa greve?

Sim. Em 2018, uma greve similar paralisou o país por 10 dias, causando escassez de combustível, inflação e até falta de remédios. Na época, o governo recuou e garantiu o cumprimento da Lei do Piso Mínimo. Mas as promessas não foram mantidas. Agora, os caminhoneiros não querem promessas — querem ação. E dessa vez, não estão sozinhos: a crise energética já se conecta com a greve dos petroleiros, criando um cenário de pressão sem precedentes.

19 Comentários

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    manu Oliveira

    dezembro 5, 2025 AT 21:41
    Isso tá ficando sério. Vi um posto em Contagem só com uma bomba funcionando e fila de 20 carros. Ninguém sabe se vai ter gasolina amanhã
    Se isso continuar, meu trabalho vai parar.
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    Ramon Bispo

    dezembro 7, 2025 AT 06:41
    Ah é claro, mais uma greve onde o povo sofre e os políticos tiram férias. Enquanto isso, a Vibra tá no modo "nós não fizemos nada errado" e o governo tá fingindo que não tá vendo. Brilhante.
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    aline Barros Coelho

    dezembro 7, 2025 AT 18:16
    A Lei 13.703/2018 foi um marco teórico mas a ausência de fiscalização estrutural transformou o piso em mera ilusão normativa. A lógica do mercado de fretes se baseia em externalidades negativas internalizadas pelos motoristas - ou seja, o custo operacional é deslocado para o indivíduo enquanto o capital mantém a margem. A greve não é sobre preço, é sobre reconhecimento de valor humano dentro de uma cadeia produtiva que trata o trabalhador como descartável.
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    Aldo Henrique Dias Mendes

    dezembro 8, 2025 AT 01:22
    Entendo a dor dos caminhoneiros, mas também a situação dos pequenos postos que vivem de venda de combustível. É triste ver isso. Talvez o governo precisasse criar um fundo emergencial pra garantir o transporte básico enquanto negocia. Ninguém ganha com isso. A gente precisa de diálogo, não de guerra. Se cada um se colocar no lugar do outro, acha um caminho. É só humanidade, hein?
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    Soraia Oliveira

    dezembro 8, 2025 AT 12:27
    Caminhoneiro grevista é o novo herói da classe média? Sério? Eles já têm carro, casa, celular top. Enquanto isso eu tô sem gasolina pra levar meu filho na escola. Não me venha com essa de "exploração".
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    Larissa Lasciva Universitária

    dezembro 10, 2025 AT 11:40
    Vibra Energia é só um nome bonito pra Petrobras que tá fugindo do problema como sempre. E os caminhoneiros? Tá tudo bem, só querem o que é deles... mas olha o que acontece com o povo comum. Enquanto isso, o governo tá em reunião com o CEO da Petrobras num resort em Búzios. Sério? É isso que tá acontecendo? #VemBrasil
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    Lucas Pedro

    dezembro 12, 2025 AT 10:52
    Pessoal, isso aqui é um alerta. Não é só gasolina. É comida, remédio, educação, tudo. Se o transporte para, o país para. Mas tem solução! Vamos pressionar nossos deputados, compartilhar, denunciar. Ninguém tá sozinho nisso. Se cada um fizer um pouco, a gente muda isso. Vamos juntos? 💪🔥
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    Robson Oliveira

    dezembro 14, 2025 AT 09:53
    Acho que o governo tá esperando o povo ficar louco de fome pra agir. Enquanto isso, os donos da Petrobras estão comprando iate. E os caminhoneiros? Tão sendo chamados de "terroristas da estrada". Cadê a justiça? Tudo isso é planejado pra desacreditar o movimento. Se não for, por que ninguém fala nada? 😏
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    Natalia Assunção

    dezembro 15, 2025 AT 02:42
    EU NÃO AGUENTO MAIS! 🥲🔥 Meu marido é motorista e tá parado desde sábado. Sem salário. Sem gasolina. Sem perspectiva. E o governo? "Monitora a situação"? MONITORA ISSO AÍ, SEU BURRO! NÃO É UM JOGO DE XADREZ, É A VIDA DE MILHARES! #FIMDAINDIFERENÇA
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    Andrade Neta

    dezembro 16, 2025 AT 21:47
    A situação descrita no presente documento evidencia uma falha estrutural na aplicação das normas regulatórias vigentes, particularmente no que tange à fiscalização da Lei 13.703/2018 e à implementação da Lei 10.209/2001. A ausência de intervenção estatal caracteriza uma omissão institucional de natureza grave, com potencial de gerar externalidades negativas de escala nacional.
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    Kleber Pera

    dezembro 17, 2025 AT 07:52
    Isso é inaceitável. A lei existe pra ser cumprida, não pra ser ignorada. E a Petrobras? Ela tem poder pra resolver isso. Não é só a Vibra. É ela. E se o governo não age, a sociedade tem que pressionar. Não é só sobre frete. É sobre dignidade. 🇧🇷✊
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    Murilo MKT Digital Trevisan

    dezembro 17, 2025 AT 12:21
    Aí vocês acham que é só sobre combustível? Não. É sobre o fim da classe média. É sobre o colapso da economia. É sobre o governo que não cuida. É sobre o povo que tá cansado. E isso? Isso é só o começo. Vai virar guerra. E ninguém vai sair ileso. 😱
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    Paulo de Tarso Peres Jr

    dezembro 18, 2025 AT 09:08
    Vocês não entendem nada. Isso aqui é um golpe. A Petrobras tá sendo atacada porque querem privatizar tudo. Os caminhoneiros são usados. Eles não sabem, mas estão sendo manipulados. O governo tá fingindo que não sabe, mas na verdade tá ajudando. E o povo? Tá sendo enganado. Eles vão fechar os postos, vão subir os preços, e depois vão dizer que foi culpa dos grevistas. Tudo é uma armadilha. Eu sei de tudo. Eu vi o vídeo.
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    Mauricio Santos

    dezembro 20, 2025 AT 06:06
    A Lei 13.703/2018... é... é... bem, eu acho que foi aprovada em 2018... mas... acho que não foi aplicada... porque... as empresas... elas... não... não têm... obrigação... de... pagar... mas... acho que... deveriam... né? Ou não? Quem sabe? Afinal, o governo é o governo... né?
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    Helton Aguiar

    dezembro 21, 2025 AT 19:02
    A greve dos caminhoneiros é um espelho da nossa sociedade. Ela revela como valorizamos - ou não - o trabalho. O motorista é invisível até quando não há combustível. Então, de repente, todos querem saber onde está o diesel. Mas quem se importa com o homem que dirige 12 horas por dia, sob o sol, com o pé no freio, enquanto os empresários discutem lucros? A crise não é de logística. É de ética. E só muda quando a gente decide que o trabalho digno não é um privilégio, mas um direito.
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    Edgar Gouveia

    dezembro 23, 2025 AT 03:15
    Galera, se cada um mandar uma mensagem pro deputado da cidade deles, a gente consegue pressionar. Eu já mandei. Vcs também? A gente não pode esperar o governo agir. A gente tem que fazer acontecer. Vamo que vamo! 💪❤️
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    Tiffany Brito

    dezembro 24, 2025 AT 20:42
    É triste ver isso. Eu só espero que as pessoas não se esqueçam dos motoristas depois que tudo voltar ao normal. Eles não são heróis. São trabalhadores. E merecem respeito. Sempre.
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    Otávio Augusto

    dezembro 25, 2025 AT 13:05
    Eu não sei mais o que fazer... Tô com medo. Meu pai é caminhoneiro. Ele tá em casa, sem trabalho. E eu... eu tô com medo de não ter gasolina pra ir pra faculdade. E se a gente não tiver mais combustível? E se... e se... tudo parar? Eu não consigo dormir. Ninguém fala disso. Mas tá tudo aqui. Tá tudo errado.
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    Maria Pereira

    dezembro 25, 2025 AT 22:23
    A Petrobras tá com medo de perder o controle. Eles querem que a gente acredite que é só um problema de frete. Mas não é. É que eles querem acabar com os sindicatos. Tudo isso é um plano pra desmontar tudo. Eles já fizeram isso com os petroleiros. Agora é a vez dos caminhoneiros. E depois? Quem vai ser o próximo? Você?

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